Dirty Money a Geração do Skate Pós Grito da Rua

Era o inicio do movimento skateboard lifestyle no Brasil!

Dirty Money a geração do Skate que sobrou depois do término do Programa Grito da Rua e do mercado de skate em geral com o Plano Color de 1990. O ano que quebrou o skate!

Mas diante de tantas dificuldades esta galera levantou a cabeça e manteve o skate vivo, do jeito que pôde. E desta persistência eles encontraram o verdadeiro estilo de vida de quem anda de skate, o skateboarder’s lifestyle, no Brasil.

Mas o que vocês vão ver, é que, mesmo eles vivendo o verdadeiro skateboard lifestyle, e sua contra-cultura, eles foram a luta, encontraram suas formas de se expressar e de se comunicar, ganharam visibilidade, patrocínios e partiram para o mundo.

Dirty Money a Geração do Skate por Giancarlo Machado, em 2010.

Início dos anos 90 e aquela velha história: Collor, recessão, crise e o skate no fundo do poço. Neste drop econômico, muitos “skatistas” acompanharam os infortúnios e saíram de cena. Mas como um vídeo revolucionaria os rumos do skate diante um clima de instabilidade?

O documentário Dirty Money resgata uma difícil fase que o skate nacional enfrentava, tendo como mote a história de um grupo de amigos que, diante todas as adversidades, nunca deixou de acreditar que seriam os próprios skatistas que deviam cumprir a difícil missão de resgatá-lo da crise. E ao fazerem um trabalho de “skatista para skatista” surgiu o Dirty Money, muito inspirado por vídeos gringos, como Questionable (Plan B) e Video Days (Blind).

A principal mudança neste processo foi a emergência do street skate. As pistas fecham, várias marcas quebram, as revistas param de circular. Restavam apenas as ruas e a criatividade de cada skatista, caso quisessem continuar “na ativa”. Este contato com as ruas provocou uma ruptura com várias coisas e a incorporação de outras: nose, manobras de giro, calças largas, o rap, o hardcore, as rodas pequenas e por aí vai…

Deste modo, o skate brasileiro mais uma vez acompanhou o skate norte-americano, reproduzindo uma série de discursos e atitudes. Contudo, isto não quer dizer que houve uma cópia, mas sim, uma ressignificação aos nossos moldes dos rumos que o skate tomava naquele momento.

Dirty Money é louvável em vários aspectos, a começar pela equipe envolvida que deu conta (e muito bem) do que fora proposto. Excelente qualidade, boa trilha sonora, importantes skatistas focados (apesar disso, senti falta de alguns outros), roteiro dinâmico, divulgação intensa.

A história do skate é feita de ciclos. Sempre algum evento ou invenção veio como uma “fênix”, para renascer o skate das cinzas. Com efeito, seria ingênuo creditar ao Dirty Money a responsabilidade única de “revolucionar” o skate nacional. Mas o que é digno de nota é a atitude de Alexandre Vianna e seus amigos, que não se calaram e acreditaram que cada um podia fazer a sua parte. Tanto é que hoje em dia estes mesmos amigos, os quais eram vistos com desconfiança por conta de suas idéias, são respeitados por aquilo que fazem.

Dirty Money é mais uma parte da história do skate. Espero que este documentário sirva de exemplo para outros grupos de amigos que queiram contar aos seus respectivos modos o que o skate representa para os mesmos. Já imaginou um documentário sobre os Wave Boys, Ibira Boys, Super Dogs, Anhangabaú Family, Aracaju Family, Butanclan, BS Crew, entre tantos outros?

Infelizmente não tenho mais tempo para dar continuidade à resenha. Aliás, este documentário é tão complexo que renderia até uma tese. De todo modo ficam aqui as minhas considerações, por meio das quais tentei ser o mais sensato possível.

SEXTA-FEIRA, JULHO 09, 2010 Por: Giancarlo Machado

Dirty Money (2010) – De Alexandre Vianna e Ricardo Koraicho – Brasil/EUA. Vídeo digital, cor, 50 minutos.

POR WIKIPÉDIA

O documentário traz depoimentos de skatistas do começo dos anos 90, que se juntaram e produziram um vídeo caseiro na época, quase duas décadas depois, o documentário relembra toda a história do filme.

No começo dos anos 90 a indústria do skate faliu após o Plano Collor. Motivados pelo amor ao skate e uma atitude “faça você mesmo” alguns amigos, adolescentes na época, se juntaram e lançaram um vídeo caseiro que mudaria as suas vidas para sempre. A fita se chamava “Dirty Money”. O vídeo foi um sucesso instantâneo, rodou o país, e inspirou milhares de jovens que compartilhavam o mesmo sonho, se tornando a pedra fundamental para a reconstrução do skate como esporte e estilo de vida no Brasil. Formavam aquele grupo de amigos, nomes com Fábio Cristiano (atleta NikeSB), Alexandre Vianna, Márcio Tarobinha, Bob Burnquist, entre outros. Dirty Money é um documentário brasileiro que retrata a cena do Skate nos anos 80 e 90 no Brasil.

Dirty Money a Geração do Skate por: Grito da Rua!

Era uma elite que não via o Grito da Rua? Que só via vídeos gringos? Que copiavam o que acontecia lá fora? Digo Menezes não existiu? Posso dizer que foi uma desilusão para mim, na época, como para o Digo, creio, não sermos citados com a devida importância. Mas enfim, estamos aqui achando tudo maravilhoso.

O que fica de mais importante foi esta galera pegar suas frustrações com a situação de crise e transformar em algo maior. Porque, quem fica em movimento o mundo conspira a favor. E fez chegar nas mãos deles uma câmera de vídeo e assim começaram a registrar o novo skateboard lifestyle.

Que não deixa de ser o o nosso velho skate for fun, só que agora, era na rua, no meio do público, mas com um toque a mais; As roupas, o street style anti fashion da Dirty Money! Isto é skateboard!

Velho dilema: Skate é Esporte ou Lifestyle?

Apesar de toda contra-cultura, no documentário vemos, que por haver competições, eles puderam ter patrocínios e assim conheceram o mundo e viveram do skate conforme suas vontades.

Ser contra a competição é um tiro no pé de quem anda de skate pelo lifestyle com os amigos. Ou de quem quer skate só par eles. Uma coisa não impedi a outra. Devemos agradecer a todos os competidores que levaram o skate nacional para o mundo!

Hoje, os skatistas do meu tempo, os old school, são pais que trabalham, tem dinheiro, podem comprar o que quiserem, o que antes, era bem difícil, e podem querer que seus filhos andem de skate.

Tem os que criticam os pais que transferem as suas frustrações para os filhos, fazendo-os andar, competir e ganharem pobres medalhas. As vezes dá certo. Mas não podemos esquecer que, quem vai dar valor a elas, são os moleques, que um dia serão os próprios donos de suas vidas.

O skate não Para!

Que esta crise que estamos vivendo agora, sirva para levantarmos a cabeça e irmos a luta! E é isto que estamos fazendo. Novos mercados surgiram, como o do nordeste, 0 dos produtos Old School, os fabricantes de rodinhas, eixos, shapes e os canais de skate, jornalistas, artistas… Enfim, estamos numa bolha efervescente e ela vai estourar com muita mais skateboarding! Como nunca dantes visto!

Veja mais Vídeos de Skate aqui no Grito! Ou veja mais Histórias do Grito da Rua e o Skate Nacional, aqui!

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Badeco Dardenne

Nos anos 70 era surfista e andava de skate quando não tinha onda, montou seu primeiro skate pregando os eixos do Patins Torlay na madeirite, andava nas ladeiras do Leblon e filava o skate da galera da Cobal do Humaitá. Andou em Campo Grande, mas no Barramares e no Rio Sul ficava babando. Com a Mustabí Creize, a primeira loja 100% skate, produziu o Circuito DHS Bebe Diabo, para iniciantes e amadores, em Perdizes, Sumaré e na Ladeira do Bosque. Com o Mustabí Team patrocinou o Campeão Overall Renato Cupim e o Chorão do CBJ no Freestyle, entre outros. Foi o produtor e apresentador do Primeiro programa do Skate na TV, O Grito da Rua! Foi co-fundador da USE (União de Skatistas e Empresários). É auto-didata, disléxico e incentivador do skateboard Nacional.

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